sábado, 15 de setembro de 2007

Cap 8° - 09/10/1946

Resolvi ficar um tempo em silencio no banco. Achei que era melhor não perguntar nada. Se ela quisesse, contar-me-ia.

Esta mesma mudez foi quebrada por uma frase de Alice que precedeu um abraço com sentimentos pesados. "Estava tudo tão esquisito, achei que não deveria continuar assim". O aperto de corpos era a melhor forma de consolo que eu havia achado naquele momento. Era como se os dois corações se encontrassem e fizesse um círculo de sentimentos. Tentava pensar no melhor que tinha para oferecer, para que com isso pudesse transmitir boas sensações. Mas era impossível. Estava vivendo por ela há tempos, e se a única fonte de minha vida estivesse entristecida, era desvantagem sobreviver.

Sentia lágrimas caindo sobre meu ombro. Lágrimas que potencializavam o abraço. O forte ritmo cardíaco da imigrante era cada vez mais facilmente perceptível junto `a respiração ofegante. Nos desentrelaçamos então, e esperei que os motivos fossem apresentados para que começasse aquela novela, que só pelo beijo já se terminaria feliz.

Alice começou finalmente a dizer que sempre havia pensado em se demitir da empresa. Não gostava da perseguição de olhares que sempre existia para com ela. Em todos os dias, com raras exceções, era abordada por algum homem de lá chamando-a para sair. Embora a resposta fosse não, todos continuavam insistentemente a pedir, como se um dia fosse aceitar. O único problema disso tudo era a superficialidade deles. Nunca olhavam para o interior, não paravam para conhece-la e simplesmente desprezavam a personalidade de Alice. Talvez por ela ser a única mulher da empresa, em épocas machistas.

A gota d'água foi o dia de ontem, no qual a escritora foi literalmente assediada sexualmente por um dos tantos canalhas que seguiam-na feito cachorrinhos. Fiquei boquiaberto quando ela me deu esta notícia, sem muitos detalhes.

Pedi para que se calasse um pouco graças `a extrema dificuldade em pronunciar cada palavra seguida de um soluço de choro. Saí do banco e segui em direção `a minha cozinha, pensando no porquê da escolha de Alice de vir para minha casa. Afinal, era mais um dos homens que desejavam-na.

5 comentários:

~~.PHI.~~ disse...

"Aplausos"

Simplesmente divino o modo em que descreveu aquele abraço!!!

Sem contar que você usou todas as formas que mais gosta ne?
"Para com.." "contar-me-ia" ahiuahiua
Ficou a sua cara!

-= Tribeja =- disse...

uhAHUhuAhua, agora que voce falou até eu to achando!

Obrigado pela admiração =D

stê van sebroeck disse...

admiro também!

lindo, lindo, lindo!
tô numa época emuxa, pô! não me provoca ¬¬

e destaque para o "para com" e pra mesóclise!

tribeja, o seu cérebro e seus sentimentos funcionam muito bem e em conjunto.

Unknown disse...

estou impressionado, tem algum outro talento aí que eu também não conheça?

Anônimo disse...

Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.