domingo, 1 de julho de 2007

Capítulo 5° - Perdido no universo da paixão

Alice! Alice! Alice! Alice! Alice?

Sim, tenho sonhado com ela. Sonhos com nossa casa, nossos filhos e um jardim imenso de flores, onde me escondo nelas para dá-las à Alice.
Afinal, o que ela tem? Alice, diga-me: o que você tem?
Eu nunca me senti assim! Sempre mantive os pés no chão e a cabeça em seu devido lugar; hoje em dia eu sonho, pego-me em suspiros apaixonados, toda vez que lhe olho.

Alice está se dando muito bem em seu novo cargo, mas isto está desgastando o seu tempo.
Outro dia, até pensei em chamá-la para um café, - afinal, o que tem um café? Café entre amigos; café para trocar idéias; café para desabafar o seu cargo, que tem sido bastante assíduo e cansativo - mas notei que era melhor não tentar, pois ultimamente anda com um ar de cansaço.

Ultimamente tenho prestado uma atenção redobrada em meus textos. Não quero parecer meloso, não quero me entregar. Estou realmente apaixonado, mas a cidade toda não precisa saber, pois trabalho é uma coisa e vida pessoal é outra; não se misturam, pelo menos em meu mundo. Mas o fato de Alice trabalhar comigo tem tornado essa minha nova tarefa complicada... Tenho que me concentrar num foco e segui-lo. Difícil mesmo é encontrar esse tal foco e fazer com que ele não seja muito cansativo.

Ontem almocei com Geraldo. Ele me falou que "desencantei". Oras, "desencantei"? "Sim, Franco. Acho que me enganei quando disse que seus textos estavam melosos. Creio que quem estava meloso era eu. Aliás, já te contei duma garota, nova vizinha minha...?". Tais palavras fizeram com que eu me sentisse orgulhoso de mim mesmo, demonstrando que meu esforço em fixar minhas idéias está valendo a pena. Estou conseguindo separar as coisas, e isso é um bom sinal.

O diretor do jornal tem se mostrado menos afetivo para com Alice e isso tem me deixado realmente feliz. Alice me cumprimenta todas as manhãs e todas as tardes, assim que vai embora.

Eu quero falar com ela, eu quero dizer-lhe tudo o que sinto, mas a coragem dentro de mim é minúscula, é quase nula.
Será que ela entenderia? Será que eu teria sucesso? Será que não me acharia patético? Acho que só saberei assim que as palavras saírem de minha boca e espero que seja logo.