quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Cap 9º - 10/10/1946

A união de nossos corpos naquele abraço perspassou pela minha mente durante todo o dia, senti que havia acontecido uma troca de energias muito grande naquela hora, parecia uma comunhão de espíritos e corpos perfeita, foi uma sensação agradabilíssima, única, mas me produziu uma ponta de incômodo bem forte como se algo estivesse errado. A conclusão a que cheguei me deixou com a consciência pesada, tudo pela culpa que senti com sua confissão, fiquei pensando se com todos aqueles sonhos, poemas e poesias de amor tão secretamente escritos na calada da noite, não teria também lhe assediado, não fisicamente mas talvez mentalmente, me senti pior que um rato.
Apesar de me sentir culpado, logo me dei conta que o que fiz não passou de expressões de amor de um louco apaixonado, de inspiração que precisa ser colocado num papel, expressada por algumas palavras calorosas, o que não conseguia perdoar era essa pessoa, será que poderia ser considerada humana alguém que se deixa tomar por impulsos carnais, confesso que ao ver Alice passando apressada pelos corredores do jornal muitas vezes me vi tomado por impulsos ou idéias desse tipo, mas impossível tornar isso realidade, não por medo, mas por amor, admiração! Nunca imaginei como alguém poderia abusar de um ser tão puro.
No dia seguinte fui trabalhar, não sei como consegui escrever um texto, me senti num covil de víboras, cercado por cobras e ratos por todos os lados. Olhei para todos de rabo de olho como se esperasse um erro ou uma pista de quem poderia ter feito aquilo com minha preciosa Alice. Voltei mais cedo para casa, não conseguia mais ficar com aquele clima pesado sobre os ombros, ainda mais misturado com a vontade de reencontrar minha amada.

Ao chegar em casa me deparei com Alice a folhear antigos poemas por mim escritos, senti-me apavorado inicialmente, talvez medo por ela não gostar do que lia, talvez vergonha, ou pior, que ela tivesse encontrado aqueles meus poemas tão secretos sobre ela.

Quando me viu logo se levantou e me cumprimentou com um beijo apaixonado, e sorriu dizendo que eram os poemas mais belos já lidos por ela. Ao ver que aqueles não eram os poemas que tinha escrito sobre ela, me acalmei e me senti tão lisonjeado que fiquei enrubescido.

O resto do dia correu normalmente, ao anoitecer Alice disse que iria se deitar, estava cansada, perguntou se eu iria junto, logo respondi que em breve, queria ficar a refletir mais um pouco, acendi um cachimbo, e me coloquei a escrever um poema, não saberia dizer o que aconteceu mas não tive inspiração para escrever uma virgula. Bebi um copo de uísque e fui deitar.

Era cada dia pior ter que trabalhar no jornal parecia que a todo o momento alguém estava prestes a me atacar, consegui trabalhar com calma, apesar da angústia, ligava sempre pra casa com medo de que tivesse acontecido alguma coisa com Alice, era a primeira vez na vida que eu tinha responsabilidade, que tinha que cuidar de outra pessoa. Ao fim do expediente Geraldo me convidou para ir a um bar conversar. Não recusei, fazia tempo que não saia com Geraldo, liguei para Alice e disse que me atrasaria. Fomos ao bar que freqüentávamos, conversamos por horas, contei-lhe que estava junto de Alice, achei que não haveria problemas já que ele era um de meus melhores amigos, mas, quando falei, ele se levantou enraivecido e saiu. Simplesmente entrei em estado de choque, não sabia o que pensar, se tinha dito-lhe algo errado.

Voltei pra casa, Alice me esperava acordada, logo fomos dormir. A mesma pergunta que me fazia antes de dormir veio à tona, por que Alice veio para a minha casa? Continuei sem resposta como todas as outras noites, não sabia motivos, para mim de fato eles não existiam, nunca tinha falado com Alice o suficiente para ela ter esta confiança em mim.

sábado, 15 de setembro de 2007

Cap 8° - 09/10/1946

Resolvi ficar um tempo em silencio no banco. Achei que era melhor não perguntar nada. Se ela quisesse, contar-me-ia.

Esta mesma mudez foi quebrada por uma frase de Alice que precedeu um abraço com sentimentos pesados. "Estava tudo tão esquisito, achei que não deveria continuar assim". O aperto de corpos era a melhor forma de consolo que eu havia achado naquele momento. Era como se os dois corações se encontrassem e fizesse um círculo de sentimentos. Tentava pensar no melhor que tinha para oferecer, para que com isso pudesse transmitir boas sensações. Mas era impossível. Estava vivendo por ela há tempos, e se a única fonte de minha vida estivesse entristecida, era desvantagem sobreviver.

Sentia lágrimas caindo sobre meu ombro. Lágrimas que potencializavam o abraço. O forte ritmo cardíaco da imigrante era cada vez mais facilmente perceptível junto `a respiração ofegante. Nos desentrelaçamos então, e esperei que os motivos fossem apresentados para que começasse aquela novela, que só pelo beijo já se terminaria feliz.

Alice começou finalmente a dizer que sempre havia pensado em se demitir da empresa. Não gostava da perseguição de olhares que sempre existia para com ela. Em todos os dias, com raras exceções, era abordada por algum homem de lá chamando-a para sair. Embora a resposta fosse não, todos continuavam insistentemente a pedir, como se um dia fosse aceitar. O único problema disso tudo era a superficialidade deles. Nunca olhavam para o interior, não paravam para conhece-la e simplesmente desprezavam a personalidade de Alice. Talvez por ela ser a única mulher da empresa, em épocas machistas.

A gota d'água foi o dia de ontem, no qual a escritora foi literalmente assediada sexualmente por um dos tantos canalhas que seguiam-na feito cachorrinhos. Fiquei boquiaberto quando ela me deu esta notícia, sem muitos detalhes.

Pedi para que se calasse um pouco graças `a extrema dificuldade em pronunciar cada palavra seguida de um soluço de choro. Saí do banco e segui em direção `a minha cozinha, pensando no porquê da escolha de Alice de vir para minha casa. Afinal, era mais um dos homens que desejavam-na.

domingo, 26 de agosto de 2007

Cap 7 - 9/10/1946

Nunca tinha visto meu jardim tão lindo.
Com a imponência das flores e a beleza de Alice juntos, tudo em um êxtase de cores que se misturavam com o vermelho de seu vestido e com as mais diversas espécies de flores que eu cultivava.

Alice, ainda com um sorriso radiante, começou a andar em minha direção.


Eu tive vontade de paralisar aquele instante, pintar um quadro e exibi-lo na sala de estar, para que todos o invejassem e comentassem como era belo.

Então, subitamente, ela parou e fingiu estar interessada em uma borboleta que estava ali por perto. O que me obrigou a tomar a iniciativa de começar um dialogo.
Mas a simples menção de: O Que aconteceu?. Provocou uma reação inesperada.

Seu sorriso estonteante desapareceu... em seus lindos olhos claros uma sombra de rancor e infelicidade se instalou e pequenas gotinhas de sofrimento penduraram em suas pálpebras.

Vê-la ali, parada, tão bonita e tão assustadoramente ferida. Me deixou atordoado... o que fazer?
Mas foi só quando senti seus lábios quentes envolverem os meus, é que me dei conta que a tinha abraçado e me aproximado o suficiente para que ela entendesse as minhas intenções.
E em uma mistura salgada de lágrimas com calor excitante que nossos corpos exalavam, nos entregamos naquele beijo de uma forma que nem o mais sábio dos poetas poderia descrever.

Após o momento mais feliz da minha vida, Alice olhou para mim... estava corada e com um sorriso tremulo, e em seus olhos percebi que estava pronta para me contar o que tinha acontecido.

“Eu me demiti”- Disse ela olhando vagamente para os próprios pés.

Eu fiquei perplexo, a grande escritora que era amada por todos se demitiu?
Ela não me encarava, talvez porque tivesse medo que eu perguntasse o “Por que”, ou talvez porque fosse mais fácil observar a dureza do chão do que meu rosto em estado de choque.

Peguei em sua mão e a conduzi silenciosamente até um pequeno banco branco que ficava em frente ao jardim. Alice estava muda e eu sem saber o que dizer ou o que fazer, mas essa história não podia ficar assim... qual o motivo dela ter tomado uma decisão tão drástica?

domingo, 5 de agosto de 2007

Capítulo 6º

Mais uma vez passei a noite sonhando com Alice, isso de certo ângulo já se tornava incômodo, era impressionante como uma simples e afetiva mulher conseguira me conquistar desse jeito.
Às vezes penso que o motivo não possa ser outro se não o ar romântico do inverno francês a causar esse efeito nas pessoas. É difícil para alguns acreditar em amor, será possível que o que faz melhor para o ser também o que mais machuca?
Hoje em meio ao meu expediente cheio de texto à escrever vi Alice, ela parecia estar com pressa, e tenho a ligeira impressão de ter visto uma fina lágrima correr por seu rosto, mas talvez tenha sido o efeito da luz. Depois de um tempo não muito longo ela saiu apressada carregando alguns poucos abjetos consigo.

Perguntei a todos, aquela pergunta ficou me rondando o resto do meu expediente, o que teria acontecido, ninguém sabia e eu tentava por todas as vias descobrir o que poderia ter acontecido.

Fiquei a noite inteira me revirando na cama olhando de minuto em minuto o horário, dez minutos pareciam uma eternidade no estado em que eu estava. Aproveitando de minha insônia arrumei uma papelada que estava pendente no trabalho, e acabei adormecendo ali mesmo.

Acordei um pouco atordoado e cansado por não ter conseguido dormir direito, cheguei alguns minutos atrasado, e logo percebi que Alice não tinha chegado, achei estranho, mas é comum que as pessoas se atrasem de vez em quando. Foi difícil me concentrar nos meus textos esse dia, parece que sem Alice por perto eu perco minha inspiração ou pelo menos parte dela.

Cheguei em casa tarde pois tive muito trabalho, que se tornava ainda mais cansativo sem o sorriso irradiante de Alice. Logo que cheguei fui ao bar e peguei um whisky e sentei em minha poltrona ouvindo as belas e sonolentas canções da rádio. Acordei assustado, adormeci sem me dar conta, vi que meu copo tinha rolado pelo chão, ouvi batidas na porta e me dei conta que esse fora o motivo do meu susto. Abri a porta um pouco receoso afinal, quem bateria numa porta em plena madrugada, apesar de não saber o horário vi pela janela que o sol ainda não tinha nascido. Quando abri a porta a pessoa que tinha batido instantes atrás estava observando as flores, a cena tinha um toque mórbido com aquele ar noturno e o clima pesado que envolvia aquela situação. Chamei a pessoa que mexia em minhas flores, e logo vi que era Alice, estava com os olhos inchados e vermelhos, e desta vez não me restavam duvidas de que ela estivera chorando. Ela me olhou e fez menção de se virar e ir embora, mas parece que ela pensou duas vezes, ficou olhando para mim a beira das lágrimas como se esperasse uma reação, a convidei para entrar e tomar um café, ela aceitou e logo depois ofereci o quarto de visitas para que ela pudesse passar a noite tranqüilamente.

Assim que acordei me levantei, não me preocupei em chamá-la, pois era domingo e pelo estado que ela estava ontem precisava de repouso, não sabia o que esperar, não sabia se ela me contaria o que tinha acontecido. Fui até a padaria e comprei pães, deixei a mesa de café arrumada para quando ela acordasse e fui regar o jardim.

Aquele jardim era minha vida, nele que eu depositava minhas mágoas, felicidades e qualquer outra emoção que pudesse mexer comigo, era como seu eu falasse com as flores e elas respondessem. Não sei o porquê, mas muitas vezes o jardim me trazia paz, eu gostava de ver as árvores e flores crescendo, era como se fosse um milagre que tornava a vida mais bela.

Estava admirando uma borboleta que acabara de pousar em uma margarida, era incrível como tanta beleza pudesse ser colocada num ser tão pequeno, de repente Alice apareceu, foi estranho ela estava sorridente e extremamente irradiante, a beleza da borboleta até parecia ter se ofuscado, quando vi Alice em meio ao jardim sua beleza tinha aumentado exponencialmente, parecia que os dois tinham se tornado um e então, eu vi, o lugar de minha amada era exatamente ali, onde sua beleza se tornava imponente.

domingo, 1 de julho de 2007

Capítulo 5° - Perdido no universo da paixão

Alice! Alice! Alice! Alice! Alice?

Sim, tenho sonhado com ela. Sonhos com nossa casa, nossos filhos e um jardim imenso de flores, onde me escondo nelas para dá-las à Alice.
Afinal, o que ela tem? Alice, diga-me: o que você tem?
Eu nunca me senti assim! Sempre mantive os pés no chão e a cabeça em seu devido lugar; hoje em dia eu sonho, pego-me em suspiros apaixonados, toda vez que lhe olho.

Alice está se dando muito bem em seu novo cargo, mas isto está desgastando o seu tempo.
Outro dia, até pensei em chamá-la para um café, - afinal, o que tem um café? Café entre amigos; café para trocar idéias; café para desabafar o seu cargo, que tem sido bastante assíduo e cansativo - mas notei que era melhor não tentar, pois ultimamente anda com um ar de cansaço.

Ultimamente tenho prestado uma atenção redobrada em meus textos. Não quero parecer meloso, não quero me entregar. Estou realmente apaixonado, mas a cidade toda não precisa saber, pois trabalho é uma coisa e vida pessoal é outra; não se misturam, pelo menos em meu mundo. Mas o fato de Alice trabalhar comigo tem tornado essa minha nova tarefa complicada... Tenho que me concentrar num foco e segui-lo. Difícil mesmo é encontrar esse tal foco e fazer com que ele não seja muito cansativo.

Ontem almocei com Geraldo. Ele me falou que "desencantei". Oras, "desencantei"? "Sim, Franco. Acho que me enganei quando disse que seus textos estavam melosos. Creio que quem estava meloso era eu. Aliás, já te contei duma garota, nova vizinha minha...?". Tais palavras fizeram com que eu me sentisse orgulhoso de mim mesmo, demonstrando que meu esforço em fixar minhas idéias está valendo a pena. Estou conseguindo separar as coisas, e isso é um bom sinal.

O diretor do jornal tem se mostrado menos afetivo para com Alice e isso tem me deixado realmente feliz. Alice me cumprimenta todas as manhãs e todas as tardes, assim que vai embora.

Eu quero falar com ela, eu quero dizer-lhe tudo o que sinto, mas a coragem dentro de mim é minúscula, é quase nula.
Será que ela entenderia? Será que eu teria sucesso? Será que não me acharia patético? Acho que só saberei assim que as palavras saírem de minha boca e espero que seja logo.

sábado, 30 de junho de 2007

Capítulo 4° - 28/08/1946

Finalmente consegui um tempo entre meu trabalho e... bem... o meu trabalho.

As coisas andam muito corridas ultimamente, não tenho tempo nem mesmo para me dedicar às coisas que mais gosto: Poesia e Alice – Não necessariamente nesta ordem.

Alice foi promovida para supervisora geral dos setores, muitos dizem que isso só aconteceu por causa da “afeição” que o diretor do jornal sente por ela. Claro, Alice é perfeita para esse cargo, pois é comunicativa, impõe respeito e é adorada por todos, mas não posso negar que os olhares furtivos desse crápula, tem elevado meu stress a níveis perigosos.

Semana passada, ele teve a coragem de chamá-la de “Li” enquanto puxava sua mão para levá-la ao escritório. Quem ele pensa que é para usar um apelido tão intimo e ainda ter a ousadia de tocá-la?!.

O que me deixa tranqüilo, é que sempre que ela passa pelo nosso departamento, nunca esquece de se dirigir a mim, com um grande sorriso, e dar um caloroso: Olá!

O Geraldo Costa é um grande amigo meu, sempre me deu muita força e tem uma certa desconfiança dos meus sentimentos pela Alice. Nunca contei a ele para não parecer patético. O que ele pensaria se eu dissesse que estou perdidamente apaixonado pela mulher mais cobiçado da impressa? Não digo que ele iria rir de mim, mas certamente diria para eu desistir. E desistir é algo que não pretendo fazer.

O mesmo Geraldo tem insistido em dizer que os meus textos estão cada vez mais melodramáticos ou poéticos, isso desde que a nossa querida Musa Inspiradora, subiu de cargo. Eu nego com veemência, dizendo que ele está muito cansado e precisa de férias.

Mas em certa parte, concordo com o que ele diz. Meus texto não perderam a qualidade, mas estão transparecendo que quem os escreve é alguém cujo amor não é correspondido. Será isso verdade?

As dúvidas dentro de mim explodem de uma tal maneira que temo perder o controle. Só espero que aquele Diretorzinho mantenha suas mãos longe dela, se não sou capaz de cometer uma loucura.

Bom, já está ficando tarde, melhor eu terminar por aqui.
Continuo assim que tiver um tempo livre.

Boa noite

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Capítulo 3° - 7/08/1946

É a minha primeira vez neste caderno. Sempre gostei de narrar ou escrever em forma poética a vida de outras pessoas, ou até mesmo personagens fictícias. Lembro-me de todas as noites de boemia que escrevia gostosamente me desligando dos problemas cotidianos. O cheiro a tabaco era muito forte, e as conversas das pessoas ao meu lado pareciam me dar uma inspiração maior para tais histórias.

Este era meu dia-a-dia, mas então comecei a trabalhar no jornal. “Casa de ferreiro, espeto de pau” é o que diz o ditado popular. Talvez por ser meu trabalho, perdi um pouco da vontade de escrever para mim mesmo. Continuei apenas escrevendo para os outros, sobre o que eles queriam e da forma que eles queriam. E, por meio desta experiência nova, um diário, venho narrar um pouco da minha vida e das minhas experiências para tentar reconquistar aquele costume que me aliviava os sentimentos em muitas ocasiões.

Hoje em dia eu poderia ser considerado um homem com costumes normais `a vista alheia. Para mim, nunca fui tão diferente na vida toda. Alice Matarazzo é o nome da diferença. Tão sedutora e tão simples ao mesmo tempo, faz-me confabular nas noites que parecem pequenas. Tão alegre, mas tão compenetrada, faz com que meu trabalho aparentemente renda muito menos. Tão excitante, mas tão comportada, deixa os homens caírem aos seus pés. Tão boa escritora e tão inteligente, que indago se ela não foi feita só para mim, ao meu molde, ao meu jeito, ao meu eu.

Alice Matarazzo, imigrante italiana que consegue conquistar corações apenas com papéis nos quais ela deixa o rastro de seu sentir, do seu saber e do seu poder. Seu poder sobre os vulneráveis homens que esperam todas as manhãs o jornal chegar para abri-lo objetivamente no texto de tão doce criatura que os conforta para mais um dia de trabalho ou que lhes dá um termômetro de como ela está se sentindo naquele dia, para quem sabe, fazer uma investida.

Ao contrário das outras que se encontram por aí, a aparência angelical não é fingida. É ingênua e pura. Não acredito que já tenha perdido a sua virgindade. Talvez isso torne-a diferentemente melhor do que qualquer outra.

Eu, poucas vezes tive a oportunidade de xavecar, mas, não sei o porquê, acho que o olhar dela é diferente para mim. Talvez seja só impressão, mas acho que nos entenderíamos, já que nosso passado é semelhante.

Continuo sonhando e me despeço com a esperança que eu retome meu vício saudável de escorrer palavras do tinteiro da caneta, uma coisa que parece insignificante, mas faz toda a diferença.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Capítulo 2° - A vida em Paris e a tentativa de vida no Brasil

Franco Leonel Beauvoir foi muito bem recebido por ambas as famílias, pois além da união de seus pais ser extremamente boa, Franco era o primeiro neto de ambas as famílias. O motivo de seus pais voltarem para a França fez muitos sorrisos.
A família morava em Rouen, mas ao voltarem para a França, procuraram um novo lugar: Paris, a bela Paris. Seu pai, Joseph, foi trabalhar numa tapeçaria, com um grande salário; sua mãe cuidava da casa, do filho e de vez em quando era chamada em alguma casa para cozinhar; sua comida era realmente deliciosa.
Franco estava com 13 anos e viciado em Edith Piaf. Franco escutava dia e noite a nova "febre" musical, que tocava demasiadamente na rádio francesa. Era um garoto estudioso, sempre muito interessado e dedicado em tudo o que fazia; o orgulho da família e exemplo para seus primos.
Em 1939, Franco se forma e resolve ir para o Brasil, a terra onde quase nasceu. Seus pais aprovaram a idéia, porém já com saudades, e deram uma grande quantia em dinheiro para que começasse uma boa vida por lá.
Franco chega ao Brasil e instala-se no Sul, pronto para estudar mais alguma coisa; informar-se era sua grande paixão, nunca se desligava do mundo ao seu redor, procurava obter informações de todas as áreas. Chegou em época de ditadura.
Logo depois de sua vinda, já formado em Jornalismo, foi trabalhar num jornal, em 1940. Seu trabalho era árduo, pois a imprensa estava sendo muito manipulada pelo governo; qualquer publicação desfavorecendo o mesmo era extremamente punida. Porém, Franco nunca teve problemas em relação a isso, era um homem bastante calmo e seguia as regras assiduamente.
A Segunda Grande Guerra Mundial estava ocorrendo nos quatro cantos do mundo, mas ainda não havia atingido o Brasil diretamente. Porém, as idéias dos operadores do Estado Novo estavam sendo um tanto quanto nazistas e sua política estava se modificando. Vargas conseguiu ser habilidoso e protelou o quanto pôde a formalização de uma posição diante do conflito que estava acontecendo.
O Brasil estava sendo modificado e industrializado, com a instalação de ferrovias, usinas hidrelétricas e indústria aeronáutica.
A Guerra cessou, finalmente, em 1945. Nessa época, Franco havia conhecido Alice Matarazzo, por quem se apaixonou.
Alice trabalhava no mesmo jornal que ele e ambos tinham histórias de vida parecidas.
Franco passou a escrever diariamente sobre sua vida, à procura de respostas e à fim de expô-la a quem se interessasse por ela.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Capítulo 1º - O início de uma longa história de vida.

Era o primeiro dia daquele ano, o céu amanhecera ensolarado em Rouen.
O mundo vivia um caos. Estavam vivendo um período denominado entre guerras. Um país do outro lado do oceano estava no auge do poder - os Estados Unidos, nesta época de prosperidade econômica se firmava como grande potência mundial. Pessoas de todo mundo deixavam suas casas e preferiam tentar uma forma de vida melhor lá.
Cecile Beauvoir era uma mulher simples no auge de seus vinte anos, morava numa casa simples, não era rica, mas possuía uma renda estável e suficiente para viver com seus pais.
Seu pai, Joseph Beauvoir, era artesão e jardineiro, um homem simples e de boa índole, cultivava os prazeres simples da vida. Trabalhava numa mansão pertencente a uma família rica.
Ao saber do crescimento econômico americano, o dono da mansão resolveu mudar-se para os Estados Unidos da América, deixando assim Joseph totalmente desesperançoso quanto a seu futuro.
Seguindo o exemplo do patrão, Joseph, que guardava economias há um certo tempo, decidiu também se virar como podia, ouviu em seu círculo de amigos que uma corrida de ouro na América do Sul estava prestes a ser uma fonte de riquezas imensa para aqueles que conseguissem ser bem sucedidos.
Cecile, que até então não conseguira um marido, tomou a decisão de ir viajar com seus pais. Ao chegar no Brasil viu que era uma nova terra e que poderia ser muito bem explorada. Lá conheceu um belo minerador chamado Leonel. Ambos desfrutavam de uma história passada semelhante. Também viera da França e possuía um sotaque extremamente acentuado. Era corpulento e forte, proveniente de uma família rica, tentava buscar sua independência tanto financeira, quanto emocional.
Logo Cecile percebeu que aquele era um homem perfeito para se viver. Com uma atração muito grande vinda das duas partes, alguns meses depois Cecile já estava grávida e casada. A felicidade de toda a família por Cecile era inegável. Nunca andava pelas ruas mal trapilha. Vestia-se com classe, sempre acompanhada de seu marido. Em mil novecentos e vinte e dois, ao completar o oitavo mês de gravidez, estava de volta à França. Queria que seu filho nascesse em sua terra natal. No dia vinte e três de outubro, Franco Leonel Beauvoir viu pela primeira vez a luz do dia.

Felizmente e finalmente...

Bom,

Inicialmente gostaria de agradecer a compreensão e colaboração de todos.
Como todos sabem bem, eu me tornei o responsável pela apresentação do primeiro capítulo de nossa história, talvez tenha demorado mais que o necessário que escrevê-la entretando ela saiu.
Hoje postarei o capítulo primeiro, gostaria de receber críticas pela história, afinal, as críticas que nos transformam para melhor.
Logo após meu capítulo, é a vez da Chilli escrever, todos aguardamos ansiosamente a sua história. Obrigado.

Grato Lucas Monteiro